domingo, 10 de outubro de 2021

colorir

Saí deste meu olhar antigo, 

onde corria perigo.

Essa porra toda, 

já não serve mais, 

nem à mim nem à ninguém.

E pro mundo e pra vida... 

era um triste desbotado, 

inexpressivo

olhar de desdém ...

eu tento agora, 

um novo mundo vivo...

busco as cores novas, 

para o colorir também...

meta teatro

ausente

 ... e os poderes de invisibilidade...

Eles escondem também as tuas vontades?

Estar invisível não é o mesmo que estar ausente...

Para aqueles que sentem tua falta, 

na verdade, para estes...

estás sempre presente...

meta teatro

voluntário

 Escravo voluntário, qual é o teu nome?

Ignorância nata, servidão barata?

Escravo voluntário, qual é o teu nome?

Ingênua ganância, que auto consome...

Escravo voluntário, qual é o teu nome?

Especulação lucrativa, inteligência inativa.

Escravo voluntário, qual é o teu nome?

Títulos em atas escolados nas 

virtudes insensatas...

Escravo voluntário, qual é o teu nome?

É medo, e impotência nas fomes?

Escravo voluntário, qual é o teu nome?

Qual é o teu nome? Escravo voluntário?

ralleirias(das lutas de classe)

extra absoluto

Motivos e lógica 
de forma rimada
desenvolta e sincopada...
E faz-se assim a poesia
que além de tudo,
é como transcendedora
de instâncias e alegria
do mais extra absoluto
não nada.

como também é o
Amor dissoluto, pois
recolhe-se
fiel e resoluto
à si.

Bendito é
qualquer
fruto
subjetivo
qual há
ali.
- meta teatro  




um vórtice

Mais um abismo.
Mais um inferno
Mais um vórtice infeliz
Desta vez, eu achei que conseguiria...
E foi mesmo por um triz.

Escalei as paredes através do breu
Emergi das profundezas
Nunca, nunca soube o que é o desistir.

Mais um voluntário mergulho cego
e de costas...
Acho que lá no fundo,
já encontrei as respostas...

Sempre foi e é o que eu quis...
A verdade, é que há momentos
em que desejamos os infernos e os abismos.
Acreditamos que eles fazem parte do pacote
do que é 'ser feliz'...
ralleirias - meta teatro



Berzequer

 Na paz que quer.

Bem me quer,

mal me quer.

Na paz que faz.

Bem me faz

mal me faz

faz capaz.

Bem me quer,

bem me faz

mal me quer

mal me faz

Berzequer.

Faz capaz.

Da paz que quer.

ralleirias -fragmentos 

exibida

Mas, às vezes as coisas só aparecem, 

porque muito bonito, de fato, tudo é...

Coisa exibida, é quando algo aparece.

Beleza é conceito, segue preceitos.

E o belo, bom é. Me parece.

Mas às vezes as coisas só são algo

se forem autorizadas pelo

reconhecimento das outras coisas...

Se  assim não forem, já outra coisa são e serão.

E é assim que as coisas vão mudando, no 'então'...

ralleirias - meta teatro