domingo, 4 de fevereiro de 2018

aos nadas...

Mergulhado nas próprias sombras
nosso anti herói, louco das
coletivas ruas imaginarias,
que são veias secas e cruas
resmungava em testemunho
vivente, entre sobras de cores
de tantas luzes reluzentes...
e assim vagava pelas estradas
e vielas sujas e becos confusos
das cidades agitadas...

''Eu já sou setenta e dois,
e o meu ontem, nunca foi...
Durante, será o quando.
E um atento, todo agora
o vai formando...
Palavras cifradas
linguagens inventadas
sentidos servos,
restam em
vidas dedicadas
aos nadas...

ralleirias- das lutas de classe



se prepare.

É só violência...

e contamos

com a sua

certa leniência

ante a barbárie...

Não, nada pare,

é o cotidiano...

entra ano,

sai ano

sempre...

se prepare.

ralleirias (Das lutas de classe)



Antecipadora

Pode ser que sim...
A inteligência da própria presença
seja do início ao fim,
a grande estratégia.
Toda luta evolutiva resume-se a isto,
a sagacidade mais completa,
não é necessariamente
racional nos termos lógicos correntes...
Antecipadora, não violenta e fluente.
Observadora discente...
E mesmo na razão pacificada...
Sistematicamente competente, assertiva e certa.
E principalmente calma, não impaciente...
Mas, no momento certo,
é operadora, operação e agente...
ralleirias


sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

decálogo do amor

Primeiro amor é grande sorte.
Mas, morre com ele todo um mundo.
Segundo amor é Norte.
É que daí, surge a real direção
naqueles desígnios profundos.
Terceiro amor é o aporte.
Um mundo, agora, para os
verdadeiros sonhos, eu refundo.
Quarto amor. A felicidade
então chega pela verdade.
Quinto amor, total admissibilidade
de amores sem vaidades...
Sexto amor, ainda que carnal, 
transcende o material.
Sétimo amor, amor glorificado, 
o universo foi realmente 
para isto inventado...
Oitavo amor, justo sossego 
amor de total desapego.
Nono amor, finalmente 
foi vencida a dor...
Décimo amor já é quase
igual ao primeiro mas, 
daí em diante, 
tudo nos deixa 
cada vez mais inteiros...
ralleirias - Um decálogo do amor


possível exequível

Pode ser que,
em quase toda impossibilidade
existia em algum momento,
também a força de uma vontade?

Daí, o possível seria como um desejo tão imenso,
que parece que nos engole mesmo toda a realidade.

O não real é também como uma confirmação de desejo?
O que há, e o que não há como potencial da possibilidade..?
Onde é, e ou, onde será, este possível
como um possível exequível
além dos afetos
e das compreensões
sobre as paixões
e fundamentalmente
sobre as vontades?
ralleirias



quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

nem socorro

Em desterro, ainda
porto o amor sincero.

E espero, não ser este
mais um erro...

Amor é sede,
é fome?

Deserto afora
esta dúvida
permanente
me consome...

Sem esperança
nem socorro.
Na dúvida,
de amor
eu morro!

ralleirias (das mortes não morridas)


sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Um bom ano para todos...

Um bom ano para todos...
E é o que todos querem?
Com amores, e sem os
desnecessários apegos
e dores...
Pois que desejem,
mas... não esperem!

Mesmo o tempo
torna-se um
consentimento.
Quando o amor
toma o momento,
eis que ele o faz ali,
também por toda
uma eternidade...
Colapsa as verdades, e
assim abre mais entendimentos
sobre as possíveis e novas realidades...

(...) fragmento

Trazia aquela vida morta
mas, Piná, sabia enorme
saber mudo...
Marcava em letra torta
e calada, o destino de tudo...
A vida morta de saudade
dum tempo que nem foi verdade...
A vida torta e desrregrada
de quem se supõem com
alguma autoridade...

(...) fragmento

Vou embora.
Mas logo volto.
Fui o agora,
e...revolto.

Vou embora.
Mas logo volto.
renascido morto
convencido e torto.

Vou embora.
Mas logo volto.
Verdade alguma
eu escolto...

Vou embora.
Mas logo volto.
Há tempo oculto
novo, num auto indulto?

Vou embora.
Mas logo volto.
Pois de desejar
no eu, eu resulto...

(...) fragmento

ralleirias