quarta-feira, 26 de novembro de 2025

destino da alma

Na mitologia egípcia, Thoth, registra o resultado da pesagem do coração, o que determina o destino da alma após a morte. O ritual, conhecido como a "Pesagem do Coração" ou Psicostasia. Como em um Julgamento, ocorria no Salão da deusa da verdade e da justiça, Maat, aonde o coração do falecido era colocado em um lado da balança e no outro prato, era posta a pena de avestruz de Maat. O coração, para os egípcios, era a sede da personalidade, das memórias e da moralidade, e seu "peso" refletia o peso de todas as ações da pessoa em vida. O Resultado:
Coração leve: Se o coração fosse tão leve quanto a pena (ou mais leve), indicava que a pessoa tinha vivido uma vida justa e pura. A alma era considerada digna de entrar na vida após a morte, ou Campo de Juncos, na presença de Osíris.
Coração pesado: Se o coração fosse mais pesado que a pena, isso significava que a pessoa estava cheia de pecados e impurezas. O coração era imediatamente devorado por Ammit, um ser aterrorizante que era uma mistura de crocodilo, leão e hipopótamo, e a alma deixava de existir.
Thoth, o deus da sabedoria, da escrita e dos escribas, estava presente para anotar meticulosamente o resultado da balança. Ele registrava se o falecido era considerado "justificado" ou não, documentando o veredito para Osíris, o governante do submundo.
O "peso do coração" e uma metáfora para a moralidade e retidão da vida de uma pessoa, e Thoth garantia o registro preciso desse julgamento final.
- crônicas das asceses místicas -  pesquisa por AI -gemini


Vasos, em hebraico, "Keilim" (כלים)

Significados Cabalísticos
Na Cabala, os Keilim são entendidos como os recipientes espirituais ou estruturas que têm a capacidade de receber a Luz Divina, ou Ohr. Criação do Mundo: A cosmologia cabalística luriânica descreve que, no processo de criação, a Luz Infinita de Deus (Ein Sof Ohr) emanou e preencheu Keilim (vasos) primordiais. Estes vasos foram projetados para conter a magnitude dessa luz.
A Quebra dos Vasos (Shevirat HaKeilim): Devido à intensidade esmagadora da Luz Divina, os vasos originais não conseguiram contê-la e se quebraram. Este evento, conhecido como a "quebra dos vasos", é um conceito central que explica a existência do mal, das imperfeições e da separação no mundo material.Tikun (Retificação): O propósito espiritual da humanidade, de acordo com a Cabala, é realizar o Tikun (retificação), que envolve coletar e elevar as "faíscas" de Luz Divina que caíram e se dispersaram quando os vasos se quebraram.

Em hebraico, "Keilim" (כלים) significa literalmente "vasos", "recipientes" ou "ferramentas". Na tradição cabalística, este termo tem um significado metafórico profundo, especialmente na Cabalá Luriânica.

O Iburim (em hebraico, עיבורים) refere-se a conceitos de reencarnação e, mais especificamente, à "impregnação" ou "gestação" de novas intelectos (ou almas/faíscas de alma).
É um conceito avançado dentro da Cabalá Luriânica, que lida com os movimentos secretos das almas (gilgulim, iburim, e nitzotzot).
Pontos-chave sobre Iburim: Impregnação de Almas: Descreve um fenômeno espiritual onde uma segunda alma, ou uma faísca de alma, se "impregna" ou entra no corpo de uma pessoa viva e já existente, a fim de realizar uma missão específica ou ajudar a primeira alma a completar seu propósito espiritual.

Desenvolvimento de Intelectos: Os textos cabalísticos mencionam que os Iburim "desenvolvem novos intelectos" ou capacidades na pessoa que os recebe. 
Diferente de Gilgul: É distinto do Gilgul Neshamot (reencarnação completa), onde uma alma inteira entra em um novo corpo no momento do nascimento. 
O Ibur ocorre mais tarde na vida e é uma união temporária ou parcial. 
Propósito Espiritual: O objetivo é geralmente benéfico, permitindo que as almas se corrijam (tikun) ou alcancem elevações espirituais que não poderiam atingir sozinhas.

Gilgulim, Iburim e Nitzotzot são conceitos da mística judaica, especificamente da Cabalá Luriânica, que descrevem diferentes processos e estados da alma. 

Gilgulim (גלגולים)
Significado Literal: "Ciclos" ou "Roda".
Conceito: Refere-se à reencarnação da alma (ou "transmigração da alma"). Acredita-se que as almas passam por múltiplos ciclos de vida em diferentes corpos humanos para retificar falhas, completar mandamentos (mitzvot) e alcançar seu potencial espiritual (conhecido como tikkun). O objetivo é a purificação e o retorno a um estado superior. 

Iburim (עיבורים)
Significado Literal: "Implantação" ou "gestação" (de "feto").
Conceito: Descreve a incorporação temporária de uma alma adicional dentro de uma pessoa viva. Isso não é uma reencarnação completa, mas sim uma "alma hóspede" que se junta à alma original da pessoa, geralmente para um propósito específico:
Beneficiar o hospedeiro: A alma visitante ajuda a purificar e elevar o hospedeiro, capacitando-o a realizar mais mitzvot.
Beneficiar a si mesma: A alma visitante, que pode ter falhado em certas tarefas em sua própria vida, beneficia-se das boas ações do hospedeiro, alcançando assim seu próprio tikkun (retificação). 

Nitzotzot (ניצוצות)
Significado Literal: "Faíscas". Refere-se às faíscas divinas de santidade ou luz. 
Na cosmologia cabalística, o mundo foi criado a partir da quebra de vasos primordiais, resultando em "faíscas" de luz divina que ficaram dispersas e aprisionadas na matéria do mundo físico. O propósito da humanidade, por meio do cumprimento das mitzvot e de uma vida justa, é identificar e "elevar" essas faíscas, liberando a santidade do cativeiro material e contribuindo para o Tikkun Olam (reparação do mundo). 
Eles descrevem a jornada complexa da alma e seu papel no processo cósmico de retificação e elevação espiritual na tradição mística judaica. 
 
- Crônicas das asceses místicas

linguagem

A linguagem é prosódia
em fluência na semiótica,
em influência no lógico léxico
na metagenealogia da epistemologia
da cultura na meta informação pura
da gramática do vitorioso na
formação do consenso e do nexo do
assujeitamento na identidade da vontade
do pensamento, o ato, o fato e o momento
e o surgimento da estória, a contemporaneidade
e história então como verdade da vontade,
definitivamente dando-lhe exclusividade e extinguindo
todas às diversas outras possibilidades, e encerrando
com um logos, assim o todo o sentido num determinado tempo.
Ser, como coisa múltipla em tudo, e palavra, expressão, sentimento.
ralleirias- metateatro

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Aje Olokun

  Aje Olokun

  • Origem e filiação: Aje Olokun é usualmente considerada filha de Olokun, o orixá dos mares, das profundezas oceânicas e da riqueza primordial.

  • Natureza do orixá Ajé: “Àjẹ́” (ou Ajé) no iorubá significa “riqueza, prosperidade, abundância”. Não é apenas “riqueza material”, mas a força vital que permite o sustento, o comércio, a fartura, o desenvolvimento social e individual. ÒMÍ ÒLÁ JOALHERIA SAGRADA ANCESTRAL+2Ifanilorun+2

  • Identidade dupla / compostas: A “Ajé” que se relaciona com Olokun às vezes é chamada “Ajé-Olókùn”, “Ajé Salugá” ou “Ajé Shalunga / Salunga / Xalungá”. Dependendo da tradição, “Ajé” pode aparecer como uma força abstrata de prosperidade (que pode habitar pessoas, casas, comunidades) ou como orixá com personalidade própria. 1stculturetour+2Candomblé+2


 Funções, Símbolos e Domínios

As principais atribuições de Aje Olokun são:

  • Riqueza, prosperidade e fartura material: dinheiro, comércio, lucro, bem-estar econômico. Ajé é vista como a mãe da prosperidade, a que permite que o trabalho humano gere frutos. Candomblé+2Nairaland+2

  • Relação com o mar e o oceano: sendo filha de Olokun, Ajé Olokun representa a riqueza que emerge das profundezas — conchas, búzios, pérolas, corais, frutos do mar, e todo o fluxo do mar como fonte de sustento. Johnson Okunade Afro-Cultural Hub+2Antropologija+2

  • Proteção contra a pobreza / maus ganhos: Ajé também é considerada guardiã contra “maus ganhos” — dinheiro injusto, riqueza adquirida de forma desonesta, inveja, desequilíbrios. Em algumas tradições, cultuar Ajé ajuda a tornar o ganho justo, limpo, sustentável. Candomblé+2Ifanilorun+2

  • Fomento ao comércio e ao mercado: em algumas fontes, Ajé Olokun é vista como patrona dos mercados, do comércio, dos mercadores, e da circulação de riqueza nas sociedades — uma “padroeira da prosperidade e do comércio”. Nairaland+2Johnson Okunade Afro-Cultural Hub+2

  • Sustento espiritual e social, além do material: riqueza não apenas econômica, mas “riqueza de vida”: saúde, segurança, estabilidade, capacidade de sustentar a família, a comunidade, de manter o culto e as obrigações espirituais. Antropologija+1


 Mitologia, Cosmogonia e Contexto Tradicional

Para entender Aje Olokun, é preciso considerar seu vínculo com Olokun, o grande orixá do mar:

  • Olokun é orixá das águas profundas, dos oceanos, da abundância primordial, senhor dos mistérios do mar. Wikipedia+2Wikipedia+2

  • A riqueza de Olokun, segundo tradições iorubás e edo-binis, vem da fabricação e comércio de contas (miçangas / búzios / conchas), muito valorizadas como indicadores de status, riqueza e poder. Esses bens — frutos da arte e do comércio — simbolizavam a prosperidade que o mar tornava possível. Antropologija+2Johnson Okunade Afro-Cultural Hub+2

  • Em algumas versões da mitologia, Aje — como filha de Olokun — detém uma parte desse legado de riqueza e prosperidade, e age como mediadora entre o mar/oceano e o mundo dos humanos, facilitando o fluxo da abundância. Nairaland+21stculturetour+2

  • Há também referências de que Aje-Olokun podia ser invocada em juramentos (swearing/oaths): quem jura sob Ajé-Olókùn, se mentir ou agir de má fé, pode enfrentar consequências graves — miséria, quebra, perda de prosperidade. Isso demonstra que seu poder não é apenas de gerar riqueza, mas de proteger a integridade moral e social da comunidade. Academia+1

  • Estudos antropológicos indicam que esse uso ritual de Aje-Olokun para “justiça social / juramento” vem sendo cada vez menos frequente entre os iorubás, especialmente com a influência da ocidentalização e das religiões abraâmicas. Antropologija+1


 Culto, Oferendas e Relação com Devotos

Como muitos orixás e divindades iorubás, Aje Olokun pode ser cultuada de formas diversas dependendo da tradição. Algumas práticas comuns:

  • Ofertas simbólicas como búzios / conchas / água do mar / objetos associados ao comércio e à prosperidade são dadas para honrar Ajé. Antropologija+2Johnson Okunade Afro-Cultural Hub+2

  • Saudação e invocações (oríkì ou rezas) para pedir prosperidade, fartura, sustento – muitas vezes recitadas pela manhã, para manifestar a energia de Ajé desde o início do dia. IFAE Para Todos+2Johnson Okunade Afro-Cultural Hub+2

  • No contexto tradicional iorubá, a invocação de Ajé muitas vezes precede qualquer outro pedido — pois, para doar ou ofertar algo, precisa haver recursos; cultuar a prosperidade primeiro seria um modo de garantir continuidade. IFAE Para Todos+1

  • Aje Olokun nem sempre é cultuada de forma coletiva (como muitos orixás grandes). Em algumas tradições, seu assentamento é individual, pessoal — cada devoto “tem sua Ajé”. Candomblé+1


 Variantes, Nomes e Confusões

Várias tradições e comunidades (iorubás, edo-binis, diáspora afro-brasileira, santeria, umbanda etc.) adaptaram ou reinterpretaram Aje / Ajé-Olokun — o que gera diversidade:

  • Ajé Salugá (ou Ajé Shalunga / Xalungá / Salunga / Saluga): em muitos relatos, é o mesmo que Aje Olokun, ou uma das manifestações dele(a). É descrita como “filha do mar”, associada ao brilho das ondas, às marés, à prosperidade que vem das águas. Ifanilorun+21stculturetour+2

  • Em algumas versões, Ajé é parcialmente personificada; em outras, é mais uma força/energia espiritual (menos “personalidade” de orixá). Isso varia conforme linhagem, tradição local e transmissão oral. Wikipedia+2Antropologija+2

  • Há diferenças entre as tradições africanas originais (Yorùbá, Edo, Bini) e as de países da diáspora (Brasil, Cuba, etc.) — o papel, nome, culto podem ser modificados. Antropologija+2Johnson Okunade Afro-Cultural Hub+2


 Relevância Contemporânea e Simbólica

Aje Olokun representa conceitos importantes:

  • Prosperidade como energia espiritual, e não apenas como acúmulo material. A riqueza torna-se um vetor de equilíbrio, sustento, dignidade — não mera ganância.

  • Interconexão entre natureza (mar, águas profundas) e economia / vida social: o mar não é apenas metáfora, mas fonte de riqueza, de vida, de sustento — o oceano como matriz primordial de recursos e abundância.

  • Responsabilidade ética com o axé (força) da prosperidade: invocar Ajé significa assumir responsabilidade — prosperar com consciência, integridade, comunitarismo — e não apenas buscar riqueza para si.

  • Simbologia profunda de sobrevivência, ancestralidade e justiça: o uso de Ajé como orixá de juramento e justiça social demonstra que riqueza e moralidade estão interligadas; que prosperidade implica compromisso social e espiritual.


 Limitações, Controvérsias e Declínio

É importante também reconhecer que:

  • O culto a Ajé-Olokun / Ajé Salugá é considerado “raro” ou “em declínio” em muitos contextos, especialmente fora da Nigéria. Muitas práticas foram perdidas ou substituídas por outros orixás mais “populares”. Antropologija+2Terreiro Mamãe Oxum+2

  • divergências entre tradições (yorubá, edo, diáspora) sobre quem exatamente é Ajé, como ela deve ser cultuada, se é “um orixá autônomo” ou “uma força/manifestação de Olokun”. Isso gera confusão, adaptação e mistura de elementos.

  • Em contextos afro-brasileiros, muitas vezes o culto a Ajé não foi preservado com fidelidade — ou foi modificado — e isso pode dificultar uma “retomada autêntica”.


— Aje Olokun como Símbolo e Potência

Aje Olokun representa um elo ancestral entre o ser humano, o mar, a prosperidade material e espiritual. Ela nos lembra que:

  • A riqueza não é algo a ser tomado levianamente, mas uma energia a ser honrada, equilibrada e compartilhada;

  • A prosperidade verdadeira — aquela que sustenta famílias, comunidades e gera dignidade — está profundamente vinculada à natureza, aos ancestrais, à justiça social;

  • O uso dessa energia exige responsabilidade, respeito e ética — tanto pessoal quanto comunitária.


Aje / Olokun representa: prosperidade consciente, equilíbrio entre forças, integração entre espírito, natureza e sustento humano.


- crônicas sistêmicas

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Crônicas historiográficas da institucionalização da loucura

A história dos hospitais psiquiátricos no Brasil começou em meados do século XIX, com a criação do Hospício de Pedro II em 1852. Inicialmente, essas instituições eram inspiradas no modelo francês e serviam como asilos com forte controle social e pouca preocupação com tratamento efetivo. Ao longo do tempo, especialmente a partir dos anos 70 e 80, houve um movimento de crítica e reforma, culminando na Reforma Psiquiátrica brasileira e na criação de serviços substitutivos, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que visam à reinserção dos pacientes na comunidade em vez do isolamento.

Origem e desenvolvimento inicial
Primeira instituição:
O primeiro hospício do Brasil foi o Hospício de Pedro II, inaugurado em 1852 no Rio de Janeiro.

Influências e arquitetura:
Foi construído com dinheiro público, tinha um estilo neoclássico e uma arquitetura que combinava a ideia de um palácio com um panóptico (vigilância constante), seguindo modelos inspirados na psiquiatria francesa.

Objetivos:
A instituição buscava o isolamento, o controle social e a separação dos indivíduos considerados "loucos", com uma visão que misturava cuidado e aprisionamento.

Período dos manicômios (final do século XIX e início do século XX)

Modelo de asilo:
Os hospitais psiquiátricos funcionavam mais como asilos, com longos períodos de internação, pouca atenção a tratamentos efetivos e altas taxas de mortalidade por doenças.

Manicômios judiciários:
Surgiram também os manicômios judiciários, como o primeiro inaugurado no Rio de Janeiro em 1921, que misturavam a ideia de hospital com presídio para abrigar criminosos com transtornos mentais.

Condições precárias:
Relatos e estudos da época, como o do Hospital Colônia em Barbacena, revelaram condições de extrema negligência, violência e maus-tratos, que levaram a um grande número de mortes.

A Reforma Psiquiátrica Brasileira
Críticas e movimento:
A partir da década de 1970, com o fim da ditadura militar, surgiram movimentos de reforma impulsionados por críticas às condições dos asilos e pela necessidade de uma política de saúde mais inclusiva.

Inspiração:
A Reforma Psiquiátrica Brasileira foi inspirada no movimento da Psiquiatria Democrática Italiana, liderado por Franco Basaglia, que propunha a reinserção social e a desinstitucionalização dos pacientes.

Nova legislação:
O movimento consolidou-se com a Lei da Reforma Psiquiátrica (Lei 10.216/2001), que visava desconstruir o modelo asilar e criar uma rede de atenção psicossocial.

Serviços substitutivos:
Em vez de hospitais psiquiátricos, a nova política priorizou a criação de serviços extra-hospitalares, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Serviços Residenciais Terapêuticos (SRTs) e leitos em hospitais gerais.

Atualmente:
Embora a desinstitucionalização seja o objetivo principal, os hospitais psiquiátricos ainda não foram completamente extintos, mas a tendência é de redução de leitos e expansão da rede de atenção psicossocial.

Os três marcos da Reforma Psiquiátrica 
A promulgação do Sistema Único de Saúde (SUS) em 1990, a realização da Declaração de Caracas em 1990, e a aprovação da Lei nº 10.216 (Lei Paulo Delgado) em 2001. Esses marcos estabeleceram a base para a desinstitucionalização e a criação de uma rede de atenção psicossocial no Brasil.

1. Promulgação do Sistema Único de Saúde (SUS) em 1990

O que foi: A Lei nº 8.080/1990 instituiu o SUS, um sistema público de saúde que reconheceu a saúde como um direito de todos e dever do Estado, criando a base para uma nova política de saúde mental.

2. Declaração de Caracas em 1990
O que foi: Este documento é considerado um marco internacional, pois estabeleceu as reformas na atenção à saúde mental nas Américas e influenciou diretamente o movimento antimanicomial e a reforma brasileira.

3. Lei nº 10.216 (Lei Paulo Delgado) em 2001

O que foi:
Conhecida como Lei Paulo Delgado, ela dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas com transtornos mentais e redireciona o modelo de assistência.

Principais pontos:
Prevê a desinstitucionalização, incentiva a criação de serviços de saúde mental comunitários (como os Centros de Atenção Psicossocial - CAPS), e garante direitos e proteção a essas pessoas.  

- Crônicas historiográficas da institucionalização da loucura -  Historicidade parte 1 (pesquisa AI Gemini)

sábado, 22 de novembro de 2025

Ponto riscado - O fechamento de corpo

Ponto de fechamento de corpo 

Tridente superior → proteção da coroa (tradição real).

Tridente inferior → drenagem para a terra (tradição real).

Estrela → domínio dos cinco elementos (tradição real).

Roda de oito pontas → encruzilhadas, caminhos, equilíbrio (tradição real).

Ondas → vibração fluídica, linha das águas (tradição real).

Círculo → selamento e contenção (tradição real).


O CÍRCULO EXTERNO — Selamento e contenção

Função: fechar campo, proteger, delimitar força mágica.

Fontes e referências:

  • “Pontos Riscados de Umbanda” – Rubens Saraceni
    → explica o círculo como campo de força empregado por Exus e Guardiões.

  • “Orixás, Caboclos e Guias” – Alexandre Cumino
    → descreve o círculo como “parede energética” usada em trabalhos de proteção.

  • “O Segredo da Umbanda” – Norberto Peixoto
    → mostra exemplos de pontos com círculo representando “fechamento de corpo”.

  • Zélio Fernandino de Moraes (linha da Tenda Mirim)
    → os círculos aparecem em pontos clássicos de Exu e Ogum.

Tradição:

O círculo é usado em:

  • Umbanda

  • Cabula (forma antiga da Umbanda)

  • Quimbanda Angola

  • Jurema Sagrada


A ESTRELA DE CINCO PONTAS — Proteção e domínio dos 5 elementos

Função: anjo da guarda, força do espírito, equilíbrio dos elementos.

Fontes e referências:

  • “Manual de Magia Divina” – Rubens Saraceni
    → estrela como força espiritual sobre a matéria.

  • “Umbanda Sagrada” – Rubens Saraceni
    → estrela = síntese do Eu Superior.

  • “Tradição de Exu na Umbanda” – Norberto Peixoto
    → estrela usada em pontos riscado de Exu de proteção.

  • “Aruanda” – Robson Pinheiro
    → descreve estrela como símbolo de guarda espiritual.

Tradição:

Presente na iconografia de:

  • Exu Veludo

  • Exu Guardião

  • Exu Tiriri

  • Exu Mirim


ONDAS (≈) — Corrente fluídica e vibração das águas

Função: movimento de axé, fluidez energética, limpeza astral.

Fontes e referências:

  • “Mistérios da Umbanda” – W. W. da Matta e Silva
    → símbolos ondulados representam vibração etérica.

  • “Jurema Sagrada: Encantaria Brasileira” – Giovanna Montovani
    → ondas = fluxo de energia, principalmente de “linha das águas”.

  • “O Poder das Águas” – Reginaldo Prandi (antropólogo)
    → descreve uso de formas onduladas para simbolizar Yemanjá e Oxum.

Tradição:

Usado em pontos de:

  • Pomba Gira do Mar

  • Exu da Água

  • Linha de Oxum e Yemanjá

  • Jurema (encantados da água)


RODA DE OITO PONTAS — Caminho, equilíbrio e encruzilhada

Função: domínio das direções, abertura e fechamento de caminhos.

Fontes e referências:

  • “Sabedoria de Exu” – Tata Tancredo da Silva
    → roda com 8 pontas como símbolo de encruzilhada múltipla.

  • “O Livro de Exu” – Adriano Camargo (exu do ouro)
    → descreve rodas e radiantes como “mecanismos de ajuste energético”.

  • “Umbanda Esotérica” – Matta e Silva
    → estrela/roda policêntrica como regulador dos planos horizontal/vertical.

Tradição:

Usada em pontos de:

  • Exu Tiriri

  • Exu Tranca-Rua

  • Exu Sete Encruzilhadas

  • Exu Sete Facadas

  • Exu dos 7 caminhos


TRIDENTE SUPERIOR — Proteção da coroa e defesa contra ataque astral

Função: guarda da cabeça, vigília espiritual, controle das vibrações superiores.

Fontes e referências:

  • “Tranca-Ruas: Guardião da Lei” – Norberto Peixoto
    → tridente como instrumento de ordem e disciplina espiritual.

  • “Quimbanda – A Chave da Magia Negra” – N. M. Testa
    → tridente representa autoridade de Exu.

  • Pierre Verger – “Orixás”
    → tridentes aparecem na iconografia de Exu nas nações iorubá-nagô.

Tradição:

Típico em pontos de:

  • Exu Tranca-Rua

  • Exu Marabô

  • Exu do Cruzeiro

  • Exu Rei das Sete Encruzilhadas


TRIDENTE INFERIOR — Drenagem e escoamento de energias negativas

Função: puxar cargas, entregar na terra, descarregar miasmas.

Fontes e referências:

  • “A Quimbanda da Calunga” – Tata Kambondo Nzazi
    → símbolos de flechas para baixo = drenagem e entrega à terra.

  • “Guardião da Meia-Noite” – Norberto Peixoto
    → tridente inferior representa domínio das zonas densas.

  • “Exu: Orixá do Movimento” – J. S. Ribeiro
    → simbolismo ascendente/descendente nos instrumentos de Exu.

Tradição:

Comum em pontos de:

  • Exu Caveira

  • Exu Calunga

  • Exu Marabô (modo de descarrego)

  • Exu de Pedra Preta


Fontes e tradições

Este ponto reúne símbolos consagrados em:

Umbanda (Saraceni, Cumino, Matta e Silva, Peixoto)

Quimbanda Angola (Tata Tancredo, Testa, Kambondo)

Jurema / Encantaria (Montovani, estudos antropológicos)

Tradições Nagô / Ketu (Verger)


desbravar

Tropeado temos tanto, 
e parece que nunca 
chegamos no certo
campo santo, para
a tropa descansar...
Ô Caboclo boiadeiro!
Teu passo é ligeiro,
por isso, toca o berrante
primeiro, mostrando o bom
caminho, para seguros, todo
mundo chegar... mesmo que tenha
picada, serra, costão ou baixada,
e todo e qualquer tipo de estrada
a qual se precise desbravar!
Pois a passagem se faz com
coragem e com vontade desse
tropear! Salve os caboclos
boiadeiros! Salve os Orixás!
Axé! Saravá!
- Crônicas das asceses místicas

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Ogã toca

Quando Ogã toca
chega o poder caboclo
e te desentoca, e te
apresenta ao Orixá...
Quando Ogã te chama
é porque a vida e teus
orixás te reclamam,
para que tu venhas
com o todo, participar...
E que tu seja o teu axé
e que tu queira o teu
Sarava! O Ogã manda
o que o soberano
saber comanda
para a tua vida
verdadeira te
entregar!
Que é o teu
Axé, Saravá!
- crônicas das asceses místicas

nas palhas de Oyá

Cabocla ferida pela vida,
reza deitada nas palhas de Oyá
Te imbui na coragem para nas tuas lidas
no amor e na fé, querer tudo enfrentar... 
E nisso, ser com vigor e mesmo
se superar...pois o tudo, mesmo a dor, 
não dura para sempre e a dor e o amor
solvem-se e resolvem-se num contínuo 
redemoinho a se transformar...
São como os ventos e a força de Oyá!
Assim, salve a sua força! 
Se inspire, há Iansã!
E Iansã, com você será!
E vá Saravá!
Eparrey Oyá! Eparrey Oyá!
- Crônicas das asceses místicas

poder

Na raiz do puro amor, 
há o germe de ser. 
Lugar sagrado aonde 
o fazer-se real, 
é como desenvolver
e criar um verdadeiro 
poder, que por instância 
natural avança em um 
singular saber: 
O de se querer.
- metateatro

quarta-feira, 19 de novembro de 2025

bem fadada idealização

E se felicidade é possível como um conjunto de circunstâncias organizadas, 
que resultam de uma bem fadada idealização, a infelicidade também é uma 
parte importante desta construção.
Tal é a forma como os desejos de performar as identidades dos lugares de 
surgimento, estruturam as realidades em formação.
- Crônicas das lutas de classe

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

vaidades

Reza a lenda, que no inferno, 
há muitas moradas. Uma das mais 
cobiçadas é uma em que existe numa 
chama intensa, a da fogueira sagrada 
das vaidades combustas, aonde os 
demônios gozam de privilégios e 
queimam como pavios, dentro do 'oco' 
da própria chama, observando de seu 
ponto de surgimento, apenas projeções 
dessa luz e seu calor aplicado ao seu 
entorno e esta 'luz', é do fogo, o gozo 
que consome tudo que há ao redor, 
inclusive e especialmente incinera 
as coisas que este demônio necessita 
para existir, nutre-se e 'ama'...
- crônicas das ascese místicas

domingo, 9 de novembro de 2025

Surpreende

Surpreende perceber que a Dor é um florescer dos campos do apego... Assim como qualquer desassossego, também como o desejo e o medo. E na tentativa de se completar curando o que é renitente no presente, um passado ausente que nunca se firmou,
e não se firmará...
pois assim, já lá está
posto que finalizou... E o desejo de passado toma o tempo do presente aonde o futuro será fundado mas, replicado, até que seja desmanchado seja como for E veja você, que também o medo de não viver é que se chama dor... - metateatro

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

é preciso compreender...

E então, é preciso compreender...
Que a falta de afeto, nos deseduca
da nossa natural humanidade, e o
desamor, é em si, pura dor e
instável fragilidade. E se há dor, há dor,
e a dor é mais que uma objetividade...
O Ser para compreender-se ser, tem
que se pertencer, e aonde ele se auto
perceber e assim, se reconhecer,
sentindo-se ser em condição de se poder...
estar, autorizar e desejar ser...e nisso se
comprometer, amar ao mundo aonde
ele mesmo se faz poder acontecer
no que ele quiser se fazer em ser.
E então, é preciso compreender...
- oroboro

está em voga

Sistemicamente, quando um assunto 
está em voga em determinados círculos, 
é sintoma de tomada de alguma consciência
coletiva... o que nos leva a querer objetividade 
em nossas lutas e campos de existências comuns... 
a solução é então canalizada afetivamente naturalmente 
em união, mas considerando-se que só quem nos tem 
apreço é capaz de se sujeitar a querer ouvir e compreender 
nossa linguagem pois ela carreia afetos também e estes, se 
não forem comuns, são quase incompreensíveis a terceiros não 
tão próximos... é cíclico e sistêmico. O que não é visto não é aceito, 
pois não é compreendido.
- Crônicas sistêmicas /das lutas de classe

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quinta-feira, 6 de novembro de 2025

uma gira

Um poema é uma gira,
um rezo para o eu,
catarse do que o mundo
não lhe concedeu,
mas que o furor da vida
escolheu como o
seu natural lugar de se criar...
y girar y girar, em redemoinho
y la ninã y el niño
de roda à brincar...
nosotros bailando,
y nossos tempos
se criando neste
desejar ...
Yira, yira.
- metateatro

é ruim

Até mesmo o que é ruim,
o amor comporta, para o
uso em seu devido fim...
É assim que ampara a
possibilidade de um
compreender de verdade
como se faz para melhor ser,
e deste correto proceder
e para isso, é que aprende-se
assim... É com todos os inícios
também com todos os vícios
até suas curas nos meios e nos fins...
- Metateatro

Estudo das correlações entre os planetas e os Orixás

 O estudo das correlações entre os planetas e os Orixás é uma área da astrologia esotérica e da Umbanda/Candomblé, que busca associar as energias e simbolismos dos corpos celestes às divindades africanas. Não existe algo como uma 'tabela' única e universalmente aceita, pois as associações podem variar entre diferentes tradições e linhas de estudo, mas algumas correspondências são comuns. 

As associações geralmente envolvem os sete Orixás mais cultuados e os sete astros (incluindo Sol e Lua) visíveis a olho nu e conhecidos na antiguidade, aonde não há imperativos mas sim observação sobre os fluxos e conjuntos de energias, assim como na cabala e demais artes da compreensão : 

Planeta / Astro Orixá Associado Simbolismo / Atuação

Sol Oxalá Criador, paz, vida, luz e regente do universo.

Lua Iemanjá / Oxum Energia feminina, intuição, ciclos da natureza, emoções, maternidade e fertilidade.

Mercúrio Xangô / Ibejis Intelecto, comunicação, conhecimento, justiça e discernimento (Xangô), ou a dualidade e a alegria (Ibejis).

Vênus Oxum / Oxumarê Amor, beleza, sensualidade, prosperidade e união.

Marte Ogum Energia de combate, força, superação de obstáculos, trabalho e caminhos.

Júpiter Oxóssi / Xangô Conhecimento, fartura, expansão, sabedoria e realeza.

Saturno Obaluaê/Omulu / Nanã Tempo, karma, cura, saúde (Omulu), ancestralidade, sabedoria dos mais velhos e a morte (Nanã).

É importante notar que:

Fundamento Ancestral: A astrologia ocidental e o culto aos Orixás são sistemas de crenças distintos. As correlações são uma sobreposição feita em contextos de sincretismo e estudos esotéricos modernos, e não um fundamento direto das tradições africanas originais.

Variações: Diferentes astrólogos e sacerdotes podem ter interpretações ligeiramente diferentes ou usar outros Orixás (como Iansã, associada a Oyá-Tempo, que rege a Lei, ou a elementos como o vento e as tempestades) em suas correlações.

Individualidade: Em sistemas como a Astrologia Védica, o Orixá de uma pessoa estaria ligado ao seu Ori (cabeça, destino, intuição), que é determinado por um cálculo mais complexo do mapa astral individual, não apenas pelo signo solar. 

Correlações 

Sol: Oxalá (princípio criador, paz, sabedoria) ou, por vezes, a Xangô (justiça, poder), devido à centralidade e autoridade de ambos.

Lua: Geralmente ligada a Iemanjá (maternidade, mar, acolhimento) ou Oxum (amor, rios, fertilidade), devido às suas conexões com as águas e ciclos naturais.

Mercúrio: Associado a Exu (comunicação, caminhos, movimento), que é o mensageiro e intermediário entre os mundos, ou a Xangô (conhecimento, discernimento).

Vênus: Ligado a Oxum (amor, beleza, riqueza) e, em algumas interpretações, a Iansã/Oyá (paixão, ventos, transformação).

Marte: Associado a Ogum (guerra, trabalho, abertura de caminhos), o orixá dos combates e da metalurgia.

Júpiter: Frequentemente correlacionado a Xangô (justiça, realeza, sabedoria), que partilha atributos com o Júpiter mitológico.

Saturno: Associado a Obaluaiê/Omulu (cura, vida e morte, transformação) ou a Nanã Buruquê (ancestralidade, sabedoria dos mais velhos), que regem o tempo, a maturidade e os limites. 

- crônicas das asceses místicas

terça-feira, 4 de novembro de 2025

regenerar

Aprender é com o viver
se construir em desconstruir
Avançar, esperar e recomeçar...
O vencer às vezes é num desistir,
em que o destruir é pra se regenerar,
e corajosamente querer se perder, pra
poder se vencer, pra poder se resgatar
E se reerguer e reintegrar, e se entregar!
Salubá! E eu vou rezar! Pois eu sou seu filho,
Nanã! E humildemente da lama eu sei renascer
pois tem quem queira me conceder o imenso poder
de eu amar o que eu quiser e ali eu também me amparar
e ajudar meu próprio mundo surgir, e é vosmecê! ó minha
mãe Nanã! é quem está a me amparar! Salubá! Nanã Baruquê!
Salubá Nanã! Vida retorna Vida ! Salubá Nanã Baruquê! Salubá!
- crônicas das asceses místicas