quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Criamos

E é só o agora, não há ou haverá um depois,
não acontecerá outra ocasião para ser bom 
ou perfeito, ou para fazer melhor
ou refazer direito 
ou um após para acertar-se
o tempo não se moverá, 
o quando do instante
é só o possível que há, 
a existência, apenas faz-se ilusionando 
este eterno permanecer, nada perdura 
frente a passagem contínua do acontecer, 
aonde a vida na morte se cura
na sucessão de eventos encadeados
nem menos nem mais
e sempre interligados
Como o pavio queimando, a água correndo, 
o vento soprando, e a terra nos valendo. 
O sol nos testemunha,
as luas nos assistem, 
o dia vem, a noite vai, 
nas móveis e fugidias luzes
e sombras causais
em que todos como um se fazem e insistem... 
Aonde é onde morremos o tempo todo, 
nesse fugidio instante
das linguagens que usamos, 
e em todas as passagens que emulamos... 
Assim, em todas as comunicações 
sagradas ou profanas do entendimento 
e que assim, só se findam, 
quem concebe lugar para o todo, 
é o espaço e o silêncio, uma coisa só,
que só verdadeiramente ocupamos
quando nós, daí, nem não estamos....
Sendo, nos permitimos o tudo,
e mesmo o nada, neste então,
ocupados ficamos, e assim
os possíveis aceitáveis, formamos.
Eis que estamos neste
mesmo e único lugar , 
que é um construir,
como esse diverso sonhar
aceitável das nossas imaginadas sagas,
nos significados atribuídos de cada coisa, 
emulamos posições pretendidamente diferentes, 
e assim, móveis...presumidamente.
Mas será no sempre a mesma instância, 
aquilo o que conhecemos como o paciente amor,
independente de sucesso e fracasso, prazer ou dor
perfeito como se apresenta, como Deus,
e que imaginadamente assim nos alenta,
como o tu, como o eu, eles e o nós...
e tudo que se materializará e ou já se concebeu
por não saber ou notar que não o precisamos,
enfim nos reconstruímos, destruímos e
destituídos do poder,  nos criamos...
ralleirias -das asceses místicas


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