terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

seu conto vivo

Em seu conto vivo, começou narrando sobre a forma irregular do moinho,
como algo mágico, e que lhe dava uma vantagem sobre todos os outros,
era uma espécie de moto-perpétuo. E era como um segredo a céu aberto,
escondido na obviedade, e que ninguém notava.

Mas, como envolto nesta mesma mágica fantástica do moinho, seu relato,
não era um simples contar de histórias, estávamos eu e ela,  lá... na história...
talvez, um pouco afastados, assistíamos não um passado de eventos remotos,
daquilo que já foi, mas estávamos no instante, não que era, mas, o do que ainda é.

O moeiro, conversa com um sujeito, que acaba de chegar num cavalo baio,
ele tem na frente de sua cela, sobre os joelhos, um saco de alguma coisa,
eu presumo que seja de milho. Estão parados, e o moinho, rodando em boa
velocidade, mas quase sem água, o cavaleiro, não parece notar, talvez distraído,
ele está acertando preço, falando de safra, relatando brevidades até que chegue
a hora da moenda de seus grãos e de fazer a sua farinha.

Então, passa pela estrada em frente ao moinho,
um outro sujeito a cavalo, e ela o nota, mas, sobretudo, reconhece o cavalo,
e não o cavaleiro. Segundo ela, lembra-se deste evento, e do fato que será relatado
à partir deste mesmo instante, e a história refere-se principalmente ao cavalo.
A narrativa nos leva de imediato ao alto de um cerro, numa trilha estreita,
marcada na grama e na areia, nos cascalhos e entre as pedras e barrancos,
rastros deixados pelo tropear de cavalos, mulas e gado.

ralleirias (fragmento)




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